{"id":630,"date":"2018-11-27T15:57:05","date_gmt":"2018-11-27T17:57:05","guid":{"rendered":"http:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/?p=630"},"modified":"2018-11-27T17:53:18","modified_gmt":"2018-11-27T19:53:18","slug":"um-batalhao-de-nascimentos-precoces","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/pt\/2018\/11\/27\/um-batalhao-de-nascimentos-precoces\/","title":{"rendered":"Pesquisa FAPESP &#8211; Um batalh\u00e3o de nascimentos precoces"},"content":{"rendered":"<header><\/header>\n<header><\/header>\n<header class=\"post scroll\">Em 2015, 40% dos beb\u00eas deixaram o \u00fatero materno antes de alcan\u00e7ar a maturidade biol\u00f3gica, em parte por causa de cesarianas eletivas<\/header>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"cabecalho-interna\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-2280px-0.jpg\" sizes=\"(max-width: 2280px) 100vw, 2280px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-2280px-0.jpg 2280w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-2280px-0-250x124.jpg 250w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-2280px-0-700x348.jpg 700w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-2280px-0-120x60.jpg 120w\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-2280px-0.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"wp-caption\">Prematuro atendido na unidade de terapia intensiva do Hospital das Cl\u00ednicas da USP. L\u00e9o Ramos Chaves<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"wp-caption\"><a class=\"author url fn\" title=\"Posts por Ricardo Zorzetto\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/autor\/ricardo\/\" rel=\"author\">Ricardo Zorzetto<\/a><\/div>\n<\/div>\n<aside class=\"credits\">\n<div class=\"detalhes-edicao\"><a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/revista\/ver-edicao-editorias\/?e_id=387\">Edi\u00e7\u00e3o 271 set. 2018<\/a> Atualizado em 15 out 2018<\/div>\n<div class=\"tags\"><a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/tag\/biologia\/\" rel=\"tag\">Biologia<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/tag\/medicina\/\" rel=\"tag\">Medicina<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/tag\/saude-publica\/\" rel=\"tag\">Sa\u00fade P\u00fablica<\/a><\/div>\n<\/aside>\n<div class=\"post-content\">\n<p>O Brasil mant\u00e9m h\u00e1 uma d\u00e9cada uma preocupante posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a mundial em partos cir\u00fargicos, as cesarianas. Em crescimento desde os anos 1970, a propor\u00e7\u00e3o de ces\u00e1reas ultrapassou a de partos normais em 2009 e, desde ent\u00e3o, n\u00e3o sofreu redu\u00e7\u00e3o significativa, apesar de tentativas do governo federal e das entidades m\u00e9dicas de faz\u00ea-la baixar. Dos 2.903.716 beb\u00eas que nasceram em 2015 em hospitais e maternidades brasileiros, 1.611.788 vieram ao mundo por meio de ces\u00e1rea. Esse n\u00famero corresponde a 55,5% dos partos e \u00e9 excessivamente elevado, inferior apenas ao da Rep\u00fablica Dominicana, onde 56,4% dos 172 mil beb\u00eas nascem a cada ano por meio de cirurgia. Uma propor\u00e7\u00e3o elevada de ces\u00e1reas brasileiras (48%) pode ser desnecess\u00e1ria porque \u00e9 realizada antes do in\u00edcio do trabalho de parto e, portanto, antes de a crian\u00e7a estar pronta para nascer. Essas ces\u00e1reas, em muitos casos combinadas com anteced\u00eancia pelo obstetra e pela gestante, podem colocar em risco a sa\u00fade da mulher e da crian\u00e7a em vez de proteg\u00ea-las.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise mais ampla j\u00e1 feita no pa\u00eds, publicada on-line em 5 de agosto na revista\u00a0<em>BMJ Open<\/em>, confirma o que epidemiologistas, obstetras e pediatras suspeitavam havia tempo: as cesarianas possivelmente evit\u00e1veis aumentam a propor\u00e7\u00e3o de beb\u00eas que nascem antes da maturidade biol\u00f3gica. A conclus\u00e3o resulta de um estudo coordenado pelo pediatra e epidemiologista Fernando Barros, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas (UCPel). Com colegas do Uruguai, do Reino Unido e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Barros confrontou o n\u00famero de nascimentos no Brasil em 2015 com informa\u00e7\u00f5es sobre o tipo de parto, a idade gestacional da crian\u00e7a e a escolaridade materna.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ENTREVISTA-FERNANDO-BARROS.mp3\"><strong>Entrevista: Fernando Barros\u00a0<\/strong>00:00 \/ 09:52<\/a><\/p>\n<div id=\"waveform-player-1\" class=\"waveform-player container \" data-waveform-player-id=\"waveform-player-1\">\n<div><\/div>\n<div class=\"volume-control\">O cruzamento dos dados mostrou que naquele ano nasceram no pa\u00eds 1.130.676 beb\u00eas (39,9% do total) com menos de 39 semanas, idade a partir da qual especialistas em sa\u00fade materna e infantil consideram a crian\u00e7a preparada para a vida fora do \u00fatero. Desse batalh\u00e3o de beb\u00eas precoces, 286 mil nasceram com menos de 37 semanas (prematuros), provavelmente por problema de sa\u00fade da m\u00e3e ou da crian\u00e7a, e 844 mil na 37\u00aa ou 38\u00aa semana de gravidez. H\u00e1 forte indica\u00e7\u00e3o de que um ter\u00e7o desses dois grupos \u2013 um total de 370 mil crian\u00e7as \u2013 nasceu antes da hora em decorr\u00eancia de cesariana desnecess\u00e1ria.<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cQuem nasce com 37 ou 38 semanas corre um pequeno risco de ter complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, que, no entanto, poderiam ser evitadas com o adiamento do parto\u201d, conta Barros. Como essas crian\u00e7as representam uma fra\u00e7\u00e3o elevada dos nascimentos, explica o pesquisador, seus problemas teriam o potencial de gerar um impacto importante no sistema p\u00fablico de sa\u00fade. Pesquisadores do Instituto Karolinska e da Universidade de Uppsala, na Su\u00e9cia, acompanharam por ao menos 23 anos 550 mil beb\u00eas nascidos entre 1973 e 1979. Em estudo publicado em 2010 na\u00a0<em>Pediatrics<\/em>, eles afirmam que, em grau menor do que os prematuros, os beb\u00eas nascidos na 37<sup>a<\/sup>\u00a0ou 38<sup>a<\/sup>semana de gesta\u00e7\u00e3o apresentavam um risco maior de n\u00e3o concluir a universidade e de precisar de assist\u00eancia do estado para cuidar da sa\u00fade.<\/p>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-633 size-full\" src=\"http:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Imagem1.png\" alt=\"\" width=\"621\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Imagem1.png 621w, https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Imagem1-300x219.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/><\/p>\n<div class=\"post-content sequence\">\n<p>\u201cSuspeit\u00e1vamos que os n\u00fameros seriam mais ou menos esses\u201d, comenta o obstetra Jos\u00e9 Guilherme Cecatti, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sobre o nascimento precoce de beb\u00eas no Brasil. Cecatti n\u00e3o participou do artigo do\u00a0<em>BMJ Open<\/em>, mas, anos atr\u00e1s, identificou uma taxa mais elevada de prematuros, parte associada \u00e0 cesarea, em um estudo com 33.740 gestantes do Nordeste, Sul e Sudeste. \u201cO m\u00e9rito do trabalho atual \u00e9 mostrar esse fen\u00f4meno com n\u00fameros t\u00e3o altos. Ele nos leva a deduzir que boa parte das ces\u00e1reas est\u00e1 sendo indicada antes do momento certo.\u201d<\/p>\n<p>Um dado refor\u00e7a a hip\u00f3tese de que essas cirurgias foram feitas sem um problema m\u00e9dico que as justificasse. A propor\u00e7\u00e3o de ces\u00e1reas antes do trabalho de parto cresceu continuamente com o aumento da escolaridade materna, um indicador do n\u00edvel socioecon\u00f4mico. Entre as 163 mil mulheres com at\u00e9 quatro anos de estudo, mais pobres e possivelmente com mais problemas de sa\u00fade, 13,2% tiveram beb\u00ea por cesariana antes do trabalho de parto. A propor\u00e7\u00e3o chegou a 49,2% entre as 528 mil m\u00e3es com n\u00edvel universit\u00e1rio, em princ\u00edpio, mais ricas, saud\u00e1veis e bem informadas. \u201c\u00c9 o fen\u00f4meno que o epidemiologista brit\u00e2nico Julian Tudor Hart chamou de invers\u00e3o do cuidado. Quem precisa mais recebe menos\u201d, comenta o pediatra Marco Antonio Barbieri, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo em Ribeir\u00e3o Preto (USP-RP).<\/p>\n<p>\u201cEstudos que acompanham popula\u00e7\u00f5es sugerem que o nascimento antecipado \u00e9 um fen\u00f4meno que seguir\u00e1 o padr\u00e3o das cesarianas, inicialmente mais frequentes nas classes mais ricas e hoje comuns tamb\u00e9m nas mais pobres\u201d, conta a pediatra Helo\u00edsa Bettiol, colaboradora de Barbieri e professora na USP-RP. Esse efeito vem sendo notado nos estudos iniciados em 1978 em Ribeir\u00e3o Preto, no interior paulista. A propor\u00e7\u00e3o de beb\u00eas que nascia na 37<sup>a<\/sup>\u00a0ou 38<sup>a<\/sup>\u00a0semana de gesta\u00e7\u00e3o por cesariana passou de 28% no per\u00edodo 1978-1979 para 54% em 1994 e 68% em 2010, segundo dados apresentados por Barbieri e Helo\u00edsa ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2017. Barros e seus colaboradores haviam observado anos atr\u00e1s uma associa\u00e7\u00e3o semelhante nos estudos de acompanhamento feitos em Pelotas (<a title=\"\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2015\/02\/13\/antes-da-hora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>ver\u00a0<\/em>Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 228<\/em><\/a>).<\/p>\n<p>No estudo da\u00a0<em>BMJ Open<\/em>, a influ\u00eancia do excesso de ces\u00e1reas no aumento dos nascimentos antes da hora ficou mais evidente quando Barros e colaboradores analisaram os 2,5 milh\u00f5es de partos (82,4% do total do pa\u00eds) sobre os quais havia informa\u00e7\u00e3o de melhor qualidade, agrupados por munic\u00edpio. Nas cidades em que a cirurgia respondia por mais de 80% dos partos, o n\u00famero de crian\u00e7as nascidas na 37<sup>a<\/sup>\u00a0ou 38<sup>a<\/sup>\u00a0semana de gesta\u00e7\u00e3o foi 62% maior do que nos munic\u00edpios em que as cesarianas representavam menos de 30% dos nascimentos, ainda assim o dobro do considerado seguro pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. A probabilidade de nascerem prematuros foi 22% maior no primeiro grupo de cidades do que no segundo.<\/p>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-632\" src=\"http:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/imagem2.png\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/imagem2.png 690w, https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/imagem2-300x209.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/p>\n<div class=\"post-content sequence\">\n<p>Obstetras e pediatras sempre se preocuparam mais com os beb\u00eas que nascem com menos de 37 semanas, os prematuros, que correm risco maior de ter problemas de sa\u00fade. Mais recentemente, por\u00e9m, surgiram estudos indicando que os nascidos com 37 e 38 semanas, de gesta\u00e7\u00e3o a termo precoce, tamb\u00e9m apresentavam mais risco de ter complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade nas primeiras semanas de vida e problemas leves no desenvolvimento cognitivo anos mais tarde. \u201cOs termos precoces nunca receberam muita aten\u00e7\u00e3o porque se considerava que estariam prontos para nascer\u201d, conta Barros. \u201cMas eles se beneficiariam de mais uma ou duas semanas no ventre materno.\u201d<\/p>\n<p>Um problema comum dos nascidos entre a 34\u00aa e a 37\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 que os pulm\u00f5es, um dos \u00faltimos \u00f3rg\u00e3os a amadurecer, ainda n\u00e3o est\u00e3o completamente preparados para respirar. Por esse motivo, \u00e9 maior o risco de a crian\u00e7a apresentar dificuldade respirat\u00f3ria, de precisar de suplementa\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio e at\u00e9 passar algumas horas na unidade de cuidados intensivos, longe da m\u00e3e. Segundo a pediatra Maria Augusta Gibelli, chefe da UTI Neonatal do Hospital das Cl\u00ednicas da USP, esses beb\u00eas nem sempre j\u00e1 desenvolveram a habilidade de sugar adequadamente o peito materno e podem apresentar uma redu\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de glicose (a\u00e7\u00facar) no sangue, exigindo a administra\u00e7\u00e3o de formula\u00e7\u00f5es \u00e0 base de leite de vaca ou cabra nos primeiros dias de vida.<\/p>\n<p>A epidemiologista Maria do Carmo Leal, professora da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica, no Rio de Janeiro, quantificou esses riscos entre os termos precoces a partir de informa\u00e7\u00f5es de 12.646 crian\u00e7as nascidas em 2011 e 2012 em 266 hospitais e maternidades brasileiros e acompanhadas por ao menos 45 dias. Publicada em dezembro de 2017 no\u00a0<em>BMJ Open<\/em>, a an\u00e1lise dessa amostra, representativa do Brasil, confirma que uma ou duas semanas a mais no ventre materno podem fazer uma diferen\u00e7a importante.<\/p>\n<p>Mesmo saud\u00e1veis, os beb\u00eas que nasceram na 37\u00aa ou 38\u00aa semana de gravidez apresentaram um risco baixo, mas superior ao dos gestados por 39 ou 40 semanas, de complica\u00e7\u00f5es nas primeiras horas ou semanas de vida. No primeiro grupo, 3,9% precisaram receber suplementa\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, ante 2,1% no segundo. Uma propor\u00e7\u00e3o semelhante precisou de banho de luz nos tr\u00eas primeiros dias de vida para neutralizar o excesso de bilirrubina, prote\u00edna t\u00f3xica para o sistema nervoso central. A hipoglicemia, redu\u00e7\u00e3o importante nos n\u00edveis de glicose, foi tr\u00eas vezes mais comum entre os beb\u00eas de 37 ou 38 semanas (0,9%) do que entre os nascidos com 39 ou 40 semanas (0,3%).<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es foi bem mais elevada quando as crian\u00e7as do primeiro grupo nasceram por interfer\u00eancia antecipada do obstetra, majoritariamente a realiza\u00e7\u00e3o de uma cesariana, sem que a m\u00e3e ou o beb\u00ea apresentasse problema de sa\u00fade. Essa situa\u00e7\u00e3o ocorreu em pouco menos da metade dos casos e triplicou a necessidade de receber oxig\u00eanio (foi de 1,3% nos beb\u00eas de 39 e 40 semanas para 4,5% nos de 37 e 38); mais do que dobrou a frequ\u00eancia de interna\u00e7\u00f5es em unidades de cuidados intensivos (de 1,5% para 3,6%); e aumentou nove vezes o risco, que era baixo, de morrer no primeiro m\u00eas de vida: subiu de tr\u00eas mortes a cada 10 mil nascimentos no primeiro grupo para 26 por 10 mil no segundo. \u201cNo Brasil, essas interven\u00e7\u00f5es antecipadas s\u00e3o especialmente comuns nos hospitais e maternidades privados\u201d, conta Maria do Carmo, que observou esse efeito em um trabalho publicado em 2016 na revista\u00a0<em>PLOS ONE<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cO direito da mulher de optar pela cesariana\u201d, defende Fernando Barros, de Pelotas, \u201cn\u00e3o deveria competir com o das crian\u00e7as de nascer com 39 ou mais semanas\u201d.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<p><strong>A pele como marcador do tempo<\/strong>Deve come\u00e7ar em outubro um teste com 790 rec\u00e9m-nascidos brasileiros para avaliar a efici\u00eancia de um equipamento que, a partir da luz refletida pela pele, estima a idade gestacional do beb\u00ea no parto. Semelhante a uma lanterna pequena, o aparelho desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) usa leds para emitir luz de baixa intensidade e um sensor para captar o que \u00e9 refletido. Essa informa\u00e7\u00e3o alimenta um miniprocessador que, levando em conta o peso, calcula quanto tempo a crian\u00e7a permaneceu no \u00fatero \u2013 quanto mais longa a gesta\u00e7\u00e3o, mais espessa \u00e9 a pele e mais luz ela reflete.<\/p>\n<p>Conhecer o tempo de desenvolvimento (idade gestacional) do beb\u00ea \u00e9 essencial para orientar a a\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos ap\u00f3s nascimento. \u201cO pediatra se baseia nessa informa\u00e7\u00e3o, em especial no caso dos prematuros, para decidir se o beb\u00ea precisa de suporte respirat\u00f3rio e controle de temperatura ou de interna\u00e7\u00e3o em uma unidade neonatal\u201d, explica a ginecologista e obstetra Zilma Reis, professora da UFMG que desenvolveu o equipamento, chamado de Skin Age, com o astrof\u00edsico Rodney Guimar\u00e3es. \u201cMesmo no Brasil, onde o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e9 universal e gratuito, nem sempre h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel sobre a idade gestacional das crian\u00e7as\u201d, diz Zilma.<\/p>\n<div id=\"attachment_575\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-575\" class=\"wp-image-575 size-full\" src=\"http:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_6919.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_6919.jpg 640w, https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_6919-300x225.jpg 300w, https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMG_6919-285x214.jpg 285w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><p id=\"caption-attachment-575\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisadora da UFMG usa o aparelho que mede a luz refletida pela pele para estimar a idade gestacional de beb\u00eaZilma Reis\/UFMG<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_263350\" class=\"wp-caption alignright vertical\">\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-900px-2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-263350 size-full\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-900px-2.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-900px-2.jpg 900w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-900px-2-250x188.jpg 250w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-900px-2-700x525.jpg 700w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/052-055_Prematuros_271-900px-2-120x90.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"675\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\n<\/div>\n<p>Ela e Guimar\u00e3es iniciaram a busca de uma forma n\u00e3o invasiva de determinar a idade do rec\u00e9m-nascido em 2014, estimulados por uma chamada para projetos sobre o tema feita pela Funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates. A inspira\u00e7\u00e3o foi o ox\u00edmetro, aparelho que estima a concentra\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio no sangue por meio de uma luz que atravessa a pele. \u201cO objetivo era criar um equipamento de uso simples para as situa\u00e7\u00f5es em que os exames pr\u00e9-natais n\u00e3o fornecem informa\u00e7\u00e3o adequada sobre a idade da crian\u00e7a ou n\u00e3o h\u00e1 um pediatra para calcular na sala de parto\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"waveform-player-2\" class=\"waveform-player container \" data-waveform-player-id=\"waveform-player-2\">\n<div class=\"first-row\">\n<div class=\"play-pause\"><a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/ENTREVISTA-ZILMA-REIS.mp3\"><strong>Entrevista: Zilma Reis\u00a0<\/strong>00:00 \/ 06:44<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"volume-control\"><\/div>\n<p>Com US$ 100 mil da Funda\u00e7\u00e3o Gates e US$ 50 mil da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Zilma e Guimar\u00e3es analisaram como a pele do feto se modifica e reage \u00e0 luz durante a gesta\u00e7\u00e3o, desenvolveram os primeiros prot\u00f3tipos e fizeram um teste cl\u00ednico que serviu como prova de conceito. Aplicado por alguns segundos ao antebra\u00e7o ou \u00e0 sola do p\u00e9, o Skin Age estimou a idade gestacional de 115 crian\u00e7as nascidas em dois hospitais de Belo Horizonte com erro de 11 dias, segundo dados publicados em 2017 na revista\u00a0<em>PLOS ONE<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n<p>Com verba do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o grupo de Minas deve testar agora o equipamento em 790 crian\u00e7as de Minas, Rio Grande do Sul, Maranh\u00e3o e Bras\u00edlia. \u201cQueremos usar os dados para aprimorar o equipamento e reduzir o erro para 7 dias\u201d, diz Zilma. Um segundo ensaio cl\u00ednico, financiado pela Grand Challanges Canad\u00e1 e pela Fiocruz, dever\u00e1 ser feito no pr\u00f3ximo ano com 400 crian\u00e7as do Brasil, de Portugal e Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"bibliografia separador-bibliografia\"><strong>Projeto<\/strong><br \/>\nFatores etiol\u00f3gicos da prematuridade e consequ\u00eancias dos fatores perinatais na sa\u00fade da crian\u00e7a: Coortes de nascimentos em duas cidades brasileiras (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/2220\/fatores-etiologicos-da-prematuridade-e-consequencias-dos-fatores-perinatais-na-saude-da-crianca-coo\/?q=08\/53593-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00ba 08\/53593-0<\/a>);\u00a0<strong>Modalidade<\/strong>Projeto Tem\u00e1tico;\u00a0<strong>Pesquisador respons\u00e1vel<\/strong>\u00a0Marco Antonio Barbieri (FMRP-USP);\u00a0<strong>Investimento<\/strong>R$ 3.289.922,80.<\/p>\n<p class=\"bibliografia\"><strong>Artigos cient\u00edficos<\/strong><br \/>\nBARROS, F. C.\u00a0<em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/bmjopen.bmj.com\/content\/8\/8\/e021538\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caesarean sections and the prevalence of preterm and early-term births in Brazil: Secondary analyses of national birth registration<\/a>.\u00a0<strong>BMJ Open<\/strong>. 5 ago. 2018.<br \/>\nLEAL, M. C.\u00a0<em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/bmjopen.bmj.com\/content\/7\/12\/e017789\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Burden of early-term birth on adverse infant outcomes: A population-based cohort study in Brazil<\/a>.\u00a0<strong>BMJ Open<\/strong>. 27 dez. 2017.<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2018\/09\/18\/um-batalhao-de-nascimentos-precoces\/#<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2015, 40% dos beb\u00eas deixaram o \u00fatero materno antes de alcan\u00e7ar a maturidade biol\u00f3gica, em parte por causa de cesarianas eletivas<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":631,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-630","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/052-055_Prematuros_271-2280px-0.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8xxvS-aa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=630"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":641,"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/630\/revisions\/641"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/skinage.medicina.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}